A estranha república canarinha

É inegável que a república brasileira tem como dois de seus vários pilares culturais o corporativismo e o clientelismo.

Levando tal fato em consideração, tem-se que do atual estado de coisas – políticos da mais alta esfera do poder central denunciados judicialmente por inúmeros crimes e outros ainda investigados pela polícia – em verdadeira ofensiva de grupos formados por juristas e burocratas, que anseiam ou, pelo menos, aparentam ansiar pôr em prática a lei (lato sensu), a fim de derrubar a “cultura” da cleptocracia, decorre a necessidade de uma análise cultural dos fatos sociais hodiernos.

Com poucas delongas, pode-se resumir o atual estado de coisas nas seguintes palavras: para que a lei seja cumprida precisar-se-ia de mudar uma parte da cultura da república, abolir ou, ao menos, diminuir, drasticamente, o corporativismo e clientelismo. Assim, alude-se que a já mencionada ofensiva é, outrossim, uma tentativa, louvável, de “limpar” o Estado, a república.

Nesse diapasão, os heróis que ora figuram nesse cenário são, bizarramente, juristas e parte dos burocratas do judiciário, incluindo os policiais federais.

É assim que se percebe como esta república, a canarinha, é decadente. Ora, concidadãos, outrora – e até muito pouco tempo – o herói da república canarinha era um sindicalista simpatizante de governos totalitários islâmicos, de extrema esquerda e autoproclamados revolucionários no sentido armamentista; agora, os heróis são os promotores de justiça, juízes, ministros togados e um punhado de advogados. Não que estes sejam iguais aquele, jamais proferiria tal asneira, contudo, e muito sinceramente, é de se estranhar, para dizer o mínimo, que os atuais heróis nacionais sejam burocratas estatais e operadores do direito: mas que república estranha a canarinha, não é mesmo??

Uma reflexão resta ser feita: o clientelismo e corporativismo arraigado na cultura nacional – como costume intrínseco do povo – permitirá a realização da limpeza que pretende a Operação Lava Jato concretizar? A questão percorre até o paradoxo: muitos dos que querem a derrocada da chefia dos que cometem crimes contra o Estado e o povo da república são, ou tendem a serem, defensores ou praticam – ainda que não defendam – o clientelismo e o corporativismo, – esta é a paradoxal república canarinha.

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